virada_cultural_f_032Chegamos a mais uma sexta-feira 13! E hoje é mais do que uma simples sexta-feira 13, pois também é aniversário do mestre José Mojica Marins, que completa hoje (13/3/2015) 79 anos de vida com muita garra. E para celebrar essa data tão icônica, vamos falar sobre o filme “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” (1975), que foi dirigido pelo pupilo de Mojica, o seu assistente de direção na época Marcelo Mota (Mojica também participou da direção do filme, mas não foi creditado). E para fechar as coincidências com o dia de hoje, o filme também se passa numa sexta-feira 13.

O roteiro do filme segue uma linha no qual o Rubens Francisco Luchetti é conhecido, que remete também aos seus trabalhos em quadrinhos de horror, no qual há uma mistura de sobrenatural com fantasia e mistério. O prólogo de “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” é desnecessariamente longo e é ali onde vemos o personagem Zé do Caixão pela única vez no filme, proferindo frases sobre vida e morte que são típicos do personagem. Apesar do longo prólogo, a ambientação da cena é muito bem feita, com tambores e um cenário que remete as loucuras de “O Despertar da Besta” (1970).

Após os créditos iniciais entramos de fato na trama do filme, um grupo de pessoas vai até a Hospedaria dos Prazeres para se candidatarem a vagas de empregos, é nesse instante que no meio de falatórios das pessoas surge o personagem de José Mojica, que se revela como o dono da hospedaria. Ele é um senhor de poucas palavras, bastante calmo e enigmático. Assim, ele seleciona duas pessoas para se juntarem a hospedaria, de uma maneira um tanto quanto estranha.

A medida que o filme caminha mais pessoas vão surgindo para se hospedar nessa estranha hospedaria, todos são recebidos por Mojica, que com algumas frases enigmáticas e de filosofia barata diz quem vai ou não se hospedar ali. No fim temos vários núcleos em diferentes quartos, desde um casal a um grupo de vários jovens que estranhamente se amontoam no mesmo quarto.

O filme, infelizmente, possui vários problemas, ele está muito longe de chegar perto de grandes obras de Mojica, como o já citado aqui “O Despertar da Besta“. Os personagens (e são muitos) não sou aprofundados e eles acabam sendo jogados a um nível absurdo de simplicidade. O protagonista (Mojica) também não possui carisma para se sustentar no filme todo, apesar de ser um personagem interessante, ele acaba se tornando muito repetitivo com suas frases enigmáticas sobre a vida. E dessa forma o filme vai caminhando, bem truncado por sinal, parece que ele se segura muito para chegar aos seus 80 minutos de projeção e vai se desenrolando de uma forma quase imperceptível.

A trama ganha uma pequena força quando se aproxima do final, mas infelizmente o final que era pra ser surpreendente acaba ficando óbvio antes mesmo da metade do filme. Mas é interessante ver como os personagens vão reagindo ao se depararem com seus destinos e algumas cenas com flashbacks que mostram como eles chegaram até a hospedaria dão um certo gás à obra.

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O final do filme, que é o seu grande trunfo, só não é mais impactante, pois com tantas repetições de cenas, o filme te explicita aonde ele quer chegar, o tornando previsível como já disse, o que é uma pena. Mas, apesar de alguns furos no roteiro, personagens rasos e caricatos, a ambientação de “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” é muito boa, a cenografia é ótima e algumas cenas criam um clima perfeito de terror fantástico, pena que essas cenas não são muitas.

A Estranha Hospedaria dos Prazeres” é um filme que fica muito abaixo do nível da filmografia de horror do Mojica, serve ‘apenas‘ como uma curiosidade para quem busca ver os trabalhos ‘menores‘ que o Mojica realizou. Mas mesmo assim é uma produção de horror nacional muito inventiva e que tinha ótimas ideias, pena que a maioria delas não funcionaram muito bem.

Falar sobre esse filme num dia de comemoração para o Mojica pode não ser muito coerente, mas é interessante sempre resgatar outras obras do diretor, que não possuam um grande nome como seus outros clássicos, mas que servem como um estudo mais aprofundado em sua filmografia. Enfim, vida longa ao nosso grande nome do cinema de horror: o eterno Zé do Caixão, o eterno José Mojica Marins!