Na certa, a grande preocupação de alguns pais com seus filhos nos dias de hoje é qual caminho eles irão seguir num futuro próximo. Com a tecnologia mudando os padrões pré-dispostos à nós desde sempre em uma velocidade incomum, essa preocupação com os valores, ideais e educação são (ou deveriam ser) constantes em nosso cotidiano. Capitão Fantástico mostra essa preocupação elevada a potência.

No filme de Matt Ross somos apresentados ao atencioso e preocupado Ben (Viggo Mortesen, ótimo!) leva uma vida nada convencional e para alguns até radical com seus filhos. Tudo muda quando ele recebe a notícia da morte de sua esposa que se apresentava até aquele momento internada em um hospital psiquiátrico. A forma como ele lida com a notícia a primeira instância e como é passada a mesma para seus filhos parece chocante e impactante. Somos acostumados a mentir desde criança, com mentiras que ouvimos e que acabamos reproduzindo e que infelizmente acaba virando um abito horrível. De forma nivelada de como Ben cria seus filhos ele não mente. As explicações que ele dá para seus filhos sobres temas tabus parecem absurdas para nós, mas paremos para refletir mais a fundo, qual o tipo de adultos que queremos formar para que o futuro seja melhor que o de hoje?

Mais questionamentos começam a surgir para as crianças de Ben no segundo ato do filme, que tem um clima gostoso de Road Movie. Alguns desses questionamentos vem da falta de interatividade com as pessoas do mundo externo e que trás grandes dificuldades nas relações interpessoais, mais expressivamente de Bo (George Mackay). Essa interação com o mundo externo, o mundo capitalista leva personagens a rever suas subjetividades e cicatrizar feridas.

Falando em Bo, não tem como não elogiar o elenco juvenil. As crianças dão um show de atuação e nos brinda com algumas das cenas mais chocantes e outras hilárias.

Matt Ross escreve um primoroso roteiro, preciso para os dias atuais. A luz da fotografia parece sempre uma luz natural, você, por muitas vezes se sente dentro do filme, da floresta, do Steve, em um Dharma interminável. O filme fala sobre um estilo de vida que pode ser radical, mas todos os temas radicais são relevantes e faz com que reflitamos sobre eles, e que possamos reparar no óbvio. O filme é sobre amor, sobre família, conhecimento e como lidar com o mundo.

PODER PARA O POVO! ABAIXO O SISTEMA! Viva Noam Chomsky!

Direção: Matt Ross
Roteiro: Matt Ross
Elenco: Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Trin Miller, Kathryn Hahn, Kathryn Hahn, Steve Zahn, Elijah Stevenson, Teddy Van Ee, Erin Moriarty, Missi Pyle, Frank Langella, Ann Dowd, Galen Osier, Hannah Horton, Rex Young, Thomas Brophy, Mike Miller, Greg Crooks e Louis Hobson.
País: E.U.A.
Ano: 2016
Duração: 118 minutos