Foi dada a largada! Começou a 41° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que traz, às salas de cinemas paulistanas, durante duas semanas, quase 400 filmes, dentre longas, curtas, novos experimentos cinematográficos e obras clássicas.

A cerimônia de abertura aconteceu no dia 18/10, no Auditório do Ibirapuera, onde foi exibido o filme “Human Flow- Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir” (2017), do artista chinês Ai Weiwei, que recebeu o Prêmio Humanidade, além de também ter assinado a arte do cartaz da Mostra deste ano.

“Human Flow- Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir” (2017), de Ai Weiwei

O poderoso documentário de Ai Weiwei traz um olhar bastante singular sobre a situação atual dos refugiados no mundo.

A escolha narrativa que Weiwei injeta no filme é bastante curiosa, pois o filme, além de ser amplo em evidenciar situações diversas em vários países, prefere se apegar ao silêncio das palavras, embora exista depoimentos falados durante a obra. Mas, ao ser também um refugiado, Weiwei entende que as imagens podem traduzir muito mais os sentimentos do que palavras, buscando-as em belos planos gerais e utilizando, com bastante frequência, o plongée, mergulhando literalmente a imagem meio a devastação que assola cada região.

Outro olhar curioso de Weiwei sobre o tema é como ele insere o celular dentro de sua narrativa, pois, além de incorporar imagens registradas pelo seu celular, ele também observa o quanto o aparelho é crucial para os refugiados, que se comunicam com seus familiares que, por conta dos diversos conflitos, se separaram meio a promessa de um refúgio.

A inserção de manchetes de noticiários sobre os refugiados também se fazem presente no filme, suprindo uma suposta narração em off que poderia se fazer necessária para contextualizar os fatos. Mas, além de desafogar o filme de um elemento tão utilizado, a obra se coloca na contemporaneidade ao entender como o dinamismo de tempos atuais podem acabar interferindo de alguma forma na situação dos refugiados. E assim, o filme se preocupa com o agora e o atual, mas não deixando também de fazer apontamentos sobre períodos históricos, inserindo depoimentos de pessoas fora desses conflitos, que apontam para o passado, para assim, contextualizar o presente.

Human Flow- Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir” é um filme longo, com mais de duas horas de duração, e por ser indigesto ao expor tristes situações reais, pode se tornar cansativo para alguns, mas o que não tira o aspecto urgente da obra.