Lisérgico, lisérgico e puramente lisérgico. Essa é a única definição cabível para o filme de hoje no Curta de Quarta, “Visa de Censure nº X“, filme de 1967, dirigido pelo francês Pierre Clémenti é uma viagem sem tamanho, assim como os últimos filmes postados aqui.

Pierre Clémenti nasceu em Paris em 1957, sua carreira artística começou no teatro e logo depois ele começou a atuar em pequenos papéis no cinema. Sua carreira de ator é um tanto quanto vasta, Clémenti chegou até a trabalhar em dois filmes de Luis BuñuelA Bela da Tarde (1967) e “A Via Láctea” (1969); Clémenti também fez aparições em obras de outros grandes cineastas daquele período, como Luchino Visconti, Bernardo Bertolucci, Pier Paolo Pasolini e até Glauber Rocha. Mas o que mais impressiona em sua carreira cinematográfica são seus filmes experimentais.

Visa de Censure nº X ” foi o seu primeiro filme, o que é impressionante pelo trabalho apurado de manipulação das imagens. Nesse filme não temos uma história para ser contada, não em diálogos ao menos, o filme aqui é contado através de imagens psicodélicas e pela ótima trilha sonora, na verdade as imagens chegam até a falar pelos seus personagens.

Se em trabalhos vanguardistas dessa época nós já tínhamos trabalhos totalmente experimentais com o cinema, aqui Clémenti parece querer extrapolar o experimentalismo em si com cenas desconcertantes. E, no meio dessa viagem absurda, ainda temos uma mensagem do filme, a única passada em letreiros: “A mão pode montar a sua escrita“. Talvez essa mensagem sirva pra refletirmos o cinema de Clémenti, pois assim como a mão pode montar a escrita, aqui a mão pode montar (as imagens) o cinema.

Agora, curta o curta: