Geralmente cinebiografias seguem uma linha narrativa convencional, claro que isso depende quem é a personalidade retratada, pois quando se trata de uma figura extremamente conhecida, uma narrativa mais palatável é exigida para vender o filme mais facilmente para o maior público possível. Mas, existem obras que se arriscam na linguagem em algumas cinebiografias e a mais inventiva na qual me recordo é a do filme francês “Boro in the Box” (2011), de Bertrand Mandico.

Boro in the Box” narra a trajetória do cineasta polonês Walerian Borowczyk (temos um filme dele aqui postado no Curta de Quarta: Rosalie), desde como seus pais se ‘conheceram’ até sua carreira como cineasta. Filmado num preto e branco mórbido, o filme opta por contar a sua história através de alegorias visuais e por divisões em partes que são marcadas por cada letra do alfabeto, o que simboliza um sentimento em específico na vida do cineasta, que assombrosamente narra o filme. Além do tom soturno e alegórico o filme pega emprestado todo o erotismo presente na filmografia de Borowczyk, que se misturam com as belas e sujas locações, proporcionando algumas cenas belíssimas.

A obra de Mandico com certeza possui uma grande força imaginativa, se apropriando de temas da filmografia Borowczyk e também brincando com a narrativa do filme, justamente por retratar a vida de um cineasta. Uma homenagem à altura de um grande realizador!

Agora, curta o curta: