Voltamos com mais uma edição do Curta de Quarta, sempre trazendo ótimos experimentos cinematográficos que só mesmo os curtas podem apresentar.

Hoje, o filme escolhido é “Solipsist” (2012), de Andrew Huang, que realiza aqui um trabalho visualmente impactante e tematicamente filosófico.

O filme mistura técnicas de animação com atores reais para trazer um turbilhão de cores fortes que se misturam e que se entrelaçam de uma maneira assustadoramente bela e hipnótica. A obra se passa em três momentos distintos, onde, de alguma forma, conecta os seres presentes nas cenas, a função não convencional da narrativa deixam os questionamentos da sua proposta em aberto, deixando o espectador à vontade para preencher todas as lacunas com suas experiências subjetivas.

Mas, além do experimento visual, o filme possui um propósito temático, que se inicia pelo seu título, que em português significa solipsismo, uma concepção filosófica onde, além de nós, só existem as nossas experiências, propondo um ceticismo onde só é possível acreditar naquilo que se experimenta. Com isso, Huang propõe uma experiência vívida, que em tela é sempre compartilhada entre atores, mas que ao fim é compartilhada com o espectador.

Pelo seu caráter experimental e por seu incrível design de produção, “Solipsist” se assemelha muito aos filmes do ciclo “Cremaster‘, do artista visual Matthew Barney, que também usa de alegorias visuais extremamente ricas para refletir e expor questões filosóficas.

“Solipsist” foi exibido no Festival Anima Mundi em 2013 e recebeu o prêmio do júri na categoria de melhor curta experimental no Festival Slamdance de 2012, mostrando a força da obra de Huang.

Agora, curta o curta!