jodorowskys_dune_xlgSem dúvida alguma o filme Duna, que Alejandro Jodorowsky iria produzir nos anos 1970, foi o filme mais importante de Hollywood que jamais foi feito. O filme se tornou referência nos grandes estúdios, mesmo sem nunca ter saído do papel. Duna foi filmado posteriormente por David Lynch, mas a versão de Jodorowsky para o livro de Frank Herbert sempre causou curiosidade no público e ao correr das décadas o filme acabou se tornando numa lenda. E é exatamente dessa lenda que o filme “Duna de Jodorosky” fala, mostrando detalhes dessa grandiosa produção.

O diretor Frank Pavich resgata nesse documentário os detalhes mais importantes da pré-produção do filme, com entrevistas com pessoas envolvidas, mostrando artes conceituais, strotyboards, fotos de arquivos e claro, o depoimento de Jodorowsky sobre o que seria tudo aquilo.

O documentário é bem amarrado, já começando traçando uma linha temporal sobre a carreira de Jodorowsky, pontuando suas fases artísticas, começando pelo teatro de vanguarda na França e falando sobre cada um do seus filmes, partindo de “Fando e Lis” (1968) até “A Montanha Sagrada” (1973). Aqui já ficamos por dentro da veia artística de Jodorowsky e o quão importante foram os seus filmes na década de 1970, fato que esse que deu um gás maior para a produção de Duna, um projeto ambicioso.

Os depoimentos de Jodorowsky sobre o filme são o fio condutor do filme, pois a partir dele nós conhecemos as figuras que estariam presentes no filme, começando com o produtor Michel Seydoux, figura importantíssima nessa história. E a partir daí o filme vai crescendo, à medida que entram novas figuras, como Moebius – que se tornou parceiro de Jodorowsky nas realizações de quadrinhos, Giger – famoso por ter criado a arte conceitual para o filme Alien, O’Bannon e Chris Foss – que cuidaram das concepções visuais do filme.  No elenco teríamos Orson Welles, Salvador Dali, Mick Jaguer, Brontis Jodorowsky (filho de Alejandro) e Udo Kier, na trilha teríamos Pink Floyd e a banda Magma, para fechar a quantidade de gente importante em um filme só.

Para Jodorowsky, cada pessoa que entraria no filme seria um guerreiro, a concepção dele para o filme era mais do que fazer uma obra grandiosa, era mudar a mente dos jovens da época, com conceitos espirituais mesclados com ficção científica. Ele alterou várias passagens do livro e criou uma nova ideia para a obra.

Os depoimentos do filme são cheios de emoção, principalmente de Jodorowsky, que fala sobre o trabalho de sua vida, pois muito do que ele produziu depois era um reflexo de Duna, quadrinhos como “O Incal” e “A Casta dos Metabarões” são frutos dessa produção que acabou sendo interrompida pelos figurões de Hollywood, que se espantaram com o tamanho do projeto e o vetaram.

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Duna de Jodorowsky” também ganha vida com as lindas animações feitas a base dos storyboards de Moebius, que fundidas com a trilha e a narração de Jodorowsky sobre a cena, transportam o espectador para dentro do projeto original do filme, instigando ainda mais a  curiosidade sobre como seria esse grandioso filme.

O filme vai narrando os fatos até o ponto onde cancelaram o projeto e o que surgiu dele. Ver o Jodorowsky falando de como o foi a sua decepção quando vetaram Duna é triste, o seu depoimento sobre o ocorrido é cheio de sentimentos, nos fazendo crer que para ele, esse trabalho significava muito.

Ter disponível um documentário sobre esse filme é maravilhoso, pois desmitifica várias coisas e mitifica tantas outras. Ver também as inúmeras referências que Duna causou em outros filmes é assustador, desde figurinos até as mais diversas concepções visuais, como dito no filme, talvez se esse projeto de Duna não houvesse existido, não teríamos “Star Wars” ou “Blade Runner“, e Hollywood poderia ter trilhado por outros caminhos.