Começou nesta última quarta-feira (12) a 18ª edição do INDIE Festival, que dentre percalços orçamentários ainda se mantém vivo, mesmo com um nova roupagem e mais enxuta. Neste ano, o INDIE desembarca somente em São Paulo, não conseguindo espaço em Belo Horizonte, onde o evento nasceu.

Mesmo com uma edição com menos filmes, a curadoria conseguiu inserir na programação obras contundentes que, tematicamente, em sua maioria, conversam politicamente com os tempos sombrios que vivenciamos e que também, em suas esferas narrativas, desafiam a sétima arte e buscam novas reflexões sobre o cinema e suas formas.

Na noite de abertura, que aconteceu no CineSesc, o INDIE exibiu o filme “Asako I & II” (Netemo sametemo, 2018), do cineasta Ryusuke Hamaguchi, que já havia apresentado seu longa anterior, “Happy Hour” (Happî awâ , 2015), no INDIE em 2016. “Asako I & II” teve sua première no Festival de Cannes deste ano, dentro da competição oficial.

“Asako I & II” (2018), de Ryusuke Hamaguchi

O novo filme de Ryusuke Hamaguchi reafirma o objeto estudado em “Happy Hour“, se em seu último longa ele se debruça nos relacionamentos amorosos de quatro amigas, em “Asako I & II” somos transportados ao prisma da protagonista, que se apaixona por dois homens fisicamente parecidos.

A narrativa escolhida para contar tal história de amores e paixões não poderia ser mais acertada. Baseado na obra de Tomoka Shibasaki, o filme abraça, sem medo de soar piegas, o tom novelesco da trama, flertando em alguns momentos com a fábula, além de também brincar com o ato de contar histórias, inserindo narrações em off da protagonista em momentos pontuais, dentre idas e vindas de sentimentos e incertezas. O filme também é repleto de situações peculiares, típicas daquele próprio universo, tal como a cena em que Asako (Erika Karata) e Baku (Masahiro Higashide) se conhecem, tornando o longa afetuoso e leve.

Embora a narrativa funcione para compor todo o entorno da obra, o filme de Hamaguchi demora a se firmar por completo dentro de sua proposta popular, deixando-o um tanto quanto arrastado em vários momentos. Mas, a força do filme encontra-se mesmo na observação do banal e do cotidiano, as cenas mais sutis e delicadas se dão no simples ato naturalista de olhar a intimidade do casal de protagonistas. E dentro dessas banalidades, nos conectamos mais profundamente com os personagens e principalmente com os sentimentos que emanam.

Asako I & II” é um bom filme por não se propor a ser grandioso demais, ele se constrói sabiamente nas sutilezas do cotidiano e encara seus dilemas de maneira extremamente nobre. A obra discorre sobre as diferenças entre o amor e a paixão, sobre as consequências que a entrega à ambos os sentimentos pode causar e também sobre os caminhos inesperados que a vida pode calcar. No fim, é um filme que, quando simples é grande, desconstruindo a fórmula mais tradicional do gênero.


Continuem acompanhando a nossa cobertura do INDIE 2018 e bom festival à todo(a)s!

Leia Mais Sobre o INDIE Festival 2018