Operação Red Sparrow” (Red Sparrow, 2018) está classificado como um filme de mistério e thriller, muita gente esperava que tivesse cenas de ação mirabolantes, por ter, a priori, comparações com o longa “Atômica” lançado no ano passado e que ganhou admiradores por ter uma trama palatável e cenas de ação bem coreografadas. Mas o resultado final está bem longe de conseguir surfar no sucesso dos filmes da franquia John Wick, como fez o longa com Charlize Theron.

Quem fica a cargo da direção é o conhecido Francis Lawrence (“Constantine“, 2005), “Jogos Vorazes: Em Chamas“, 2013), que repete sua parceria com a atriz em ascensão Jennifer Lawrence, com quem já havia trabalhado nos três últimos filmes da franquia Jogos Vorazes. O roteiro é adaptado por Justin Haythe, inspirado no livro “Roleta Russa”, do ex-oficial da CIA Jason Matthews.

Operação Red Sparrow” gira em torno de Dominika Egorova (Jennifer Lawrence), uma jovem dançarina do balé de Bolshoi que é selecionada contra a sua vontade para se tornar uma agente “pardal” – uma mulher treinada para seduzir e conseguir informações para o governo russo. Em uma de suas missões, ela encontra Nate Nash (Joel Edgerton), um oficial da CIA com que a qual se envolve em uma relação de contradições.

O filme tenta entregar uma trama amarrada mas não tem muito êxito nisso. Primeiro por não saber para onde realmente quer ir com seu roteiro, muitas vezes confuso e que se perde com suas inúmeras reviravoltas. O clima de mistério até que tem um pouco de êxito, por conta de sua imprevisibilidade de acontecimentos, mas ele se força a ter uma identidade de thriller de espionagem que beira muitas vezes ao marasmo. A protagonista até tenta passar um ar de espiã, mas o curto tempo de treinamento para essa função nos deixa desacreditados e sem uma segurança de que ela terá tanta lábia para sair de algumas situações de diálogos, e também nem que tenha psicológico para lidar tão bem com algumas situações de extrema violência.

Joel Edgerton até tenta segurar bem seu papel, mas o roteiro não ajuda em seu desenvolvimento. Não tiveram um grande trabalho e até mesma preocupação ao desenvolverem seu personagem e suas motivações. E mesmo assim, o ar de imprevisibilidade de Nate acaba deixando ele desinteressante. Uma coisa que poderia ter ajudado o trabalho do ator seria uma certa química com Jennifer Lawrence, que não acontece.

Quem espera uma produção com cenas de ação pode esquecer. Talvez até salvaria e ajudaria no andar do filme se tivesse cenas de ação mirabolantes. Porque existem muitos vácuos dentro do enredo que daria para encaixar cenas de ação, e as mesmas até ajudariam no desenvolver e na proposta para o filme.

Creio que o grande acerto do filme seja Jennifer Lawrence. Com uma atuação ousada, a atriz vem se provando uma profissional versátil, que consegue entregar boas atuações tanto em blockbusters, quanto em filmes que pedem uma veia mais dramática e estudos de personagem. Ela surpreende na entrega de cenas de sexo e nu frontal, cenas que não são tão comuns para uma atriz com seu reconhecimento e folha salarial hoje em dia.

O erotismo usado por agentes mulheres para conseguir informações é uma das grandes questões que o filme quer levantar desde seu início. Desde o treinamento das agentes para o estado, que coloca em debate questões interessantes sobre o domínio do corpo pelo sujeito e pelo Estado, e até das liberdades individuais.

Operação Red Sparrow” é um filme que fica constantemente procurando uma identidade. Vendido como um thriller de mistério, erótico e de espionagem e que talvez teria cenas de ação, ele acaba ficando no meio termo, abordando alguns temas importantes, mas mau trabalhados dentro de um roteiro bagunçado.

Título Original: Red Sparrow
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Justin Haythe (Baseado no livro “Roleta Russa”, de Jason Matthews)
Elenco: Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Charlotte Rampling, Mary-Louise Parker, Ciarán Hinds, Joely Richardson, Bill Camp, Jeremy Irons, Thekla Reuten, Douglas Hodge, Sakina Jaffrey
Fotografia: Jo Willems
Produção: Peter Chernin, David Ready, Jenno Topping, Steven Zaillian
País: Estados Unidos da América
Ano: 2018
Duração: 139 minutos
Estreia: 01/03/2018
Distribuição no Brasil: Fox

Notas

00 a 20 – Péssimo
21 a 35 – Ruim
36 a 50 – Regular
51 a 65 – Bom
66 a 75 – Muito Bom
76 a 90 – Ótimo
91 a 99 – Excelente
100 – Obra-Prima