Desde a sua premiere no Festival de Cannes desse ano, o filme de Kleber Mendonça Filho tem causado falatório, mas precisamos entender que todo o debate gerado pela equipe do filme é extremamente necessário diante da situação política do país.

O golpe que fora denunciado por Kleber e sua equipe no Festival de Cannes causou desconforto no governo de Temer Golpista, que de uma forma velada tentava atrapalhar a carreira do filme no Brasil. Mas o filme se sobressaiu e foi muito bem recebido pelo público brasileiro, com exceção de pessoas que se deixaram influenciar por movimentos duvidosos das redes sociais que clamavam o boicote do filme alegando uma centena de inverdades. Mas a cartada final ainda estava por vir, e dessa vez nem a campanha feita por Gabriel Mascaro, Anna Muylaert, Aly Muritiba e demais artistas do meio cinematográfico brasileiro conseguiram reverter o que já parecia consumado: “Aquarius” está de fora da disputa do Oscar na categoria de melhor filme não falado em inglês.

O filme escolhido foi “Pequeno Segredo” do cineasta David Schurmann. E é aqui que temos que ter cuidado, não podemos usar dessa escolha equivocada para atacar ao filme, temos que ser coerentes em nossos questionamentos, afinal o filme ainda nem estreou em circuito comercial, nós não o vimos (afinal, quem viu?). Mas não podemos fechar os olhos também. Colocando “Aquarius” e “Pequeno Segredo” na balança fica fácil saber que filme teria mais chance para conquistar uma vaga no Oscar. E como se não bastasse esse fato lógico, aqui vai uma informação: O filme para fazer parte da disputa da pré-seleção para o Oscar tem que ter entrado em circuito comercial até o dia 30 de setembro do ano que ele foi selecionado, e a estreia de “Pequeno Segredo” estava prevista para novembro. E como parece ser uma constante no governo de Golpista, deram um jeitinho e o filme vai estrear na semana que vem em pouquíssimas salas só para se adequar a regra. Ou seja, o filme será exibido em poucas salas, com poucas cópias, só para tentar legitimar o filme de alguma forma perante a decisão da comissão do Oscar.

Aquarius é sucesso de crítica e de público no Brasil, está com uma excelente carreira fora do país e nesse momento está participando do Toronto International Film Festival, que é uma das maiores vitrines para o Oscar, e o filme foi super bem recebido por lá. Esse é só um dos fatos que evidencia essa incoerência do MinC ao ignorar o filme. Mas sabemos o que isso significa de fato! Não engulo essa escolha do MinC e muito menos esses pseudo argumentos da comissão, que aliás é tão covarde quanto o senhor Bruno Barreto, que nem na nomeação esteve. Ok! Acreditamos que o presidente da comissão não compareceu porque perdeu o avião, como também acreditamos na integridade dessa escolha!

E o fato aqui não é querer participar da premiação do Oscar ou não, pois o cinema brasileiro não precisa de um “selo de qualidade” imperialista para ser ótimo de fato, mas a questão é: se existe um processo que vai escolher um filme para tentar uma vaga para o Oscar (ou qualquer outra premiação e/ou festival), que seja um processo totalmente íntegro, coisa que se tivermos um bocado de bom senso sabemos que não houve, afinal integridade falta nesse governo. É puro revanchismo político, nada tem a ver com quesitos cinematográficos.

E para terminar quero parafrasear Clara, interpretada com muito vigor por Sonia Braga, numa das cenas do filme: “Eu prefiro dar um câncer do que ter um câncer!” Esse é o recado que ecoará pra sempre aos ouvidos de um governo que não representa o país, tentando afundar um filme que de fato nos representa como um sinônimo de resistência.


*Hoje, de Taiguara, música faz parte da trilha sonora de Aquarius