Prelúdio Para Matar é um filme do diretor Dario Argento, famoso por vários títulos dentro do famoso subgênero dentro do cinema de terror, “Gialo” ou “Gialli”. Esse gênero ficou famoso na Itália no anos 1960 e 1970 com os renomados diretores Lucio Fucci, Mario Bava e o próprio Argento. A forma de narrativa seguia um certo “padrão” que aqui sempre nos mostrava assassinatos macabros de determinados grupos de jovens, a maior parte das vezes pela visão de primeira pessoa do assassino. A morte ocorria quase sempre em seguida de uma perseguição ou em algum momento de distração dos personagens.

Ouvindo esse tipo de narrativa de como a trama se desenrola não tem como não lembrar de filmes americanos como “Sexta-feira 13” e “Halloween”, né?  Não é a toa que o Giallo é constantemente colocado como o pai dos sub-gêneros “Slasher” e “Splater” onde esses filmes se enquadrariam,  e que fizeram bastante sucesso no mercado cinematográfico americano no anos 1980 e 1990.

Argento usa bastante o medo psicológico dentro de suas narrativas, usando uma paleta de cores fortes e uma trilha sonora gritante, muitas vezes desconexas e também muitas vezes proposital. Vale muito ressaltar a longa e produtiva parceria com a banda de rock progressivo italiana Goblin, inclusive a louca trilhas de Prelúdio quem assina é a banda. Essa trilha desconexa parece proposital, pois se formos ver, tudo se encaixa, roteiro, trilha e design de produção.A sensação que se passa em muitas vezes é de claustrofobia, e como se estivéssemos em um pesadelo.

Prelúdio Para Matar surgiu com a ideia de ser o quarto episódio da serie de filmes do diretor “Trilogia dos Animais”, e se chamaria “O Tigre dos Dentes de Sabre”. Mas o diretor acabou desistindo desse plano e acabou dando uma identidade própria ao filme. O filme nasceu da bem-sucedida parceria de Dario com o roteirista Bernardino Zapponi, colaborador de outro cineasta italiano que não tem nada em comum com as propostas dos filmes de Dario.

Logo no começo de Prelúdio para Matar, a câmera de Argento penetra dentro de um salão de convenções, passando por dentro de cortinas com um vermelho absolutamente vivo. Lá dentro, os palestrantes falam sobre mediunidade, e a médium Helga Ulmann (Macha Méril) fica abalada ao afirmar que está captando a mente de um assassino na plateia. Alguém que pretende matar de novo… Naquela mesma noite, ela é assassinada. O pianista inglês Marcus Daly (David Hemmings) testemunha o crime e aos poucos, para seu horror, se torna também alvo do assassino, cujo rosto ele não conseguiu ver. Daly começa a investigar o caso com a ajuda da repórter Gianna (Daria Nicolodi), e os dois passam a correr risco de vida. 

Dizem que o Mestre do suspense Alfred Hitchcock assistiu à Prelúdio e saltou o seguinte comentário, “Esse jovem italiano está começando a me preocupar”. E apesar de ter vida própria, o trabalho de Dario Argento é constantemente comparado ao de Hitch. Algumas similaridades, talvez! Acho que cada um tem suas particularidades, mas no final bebem da mesma fonte, e conseguem, ou no caso do gordinho, conseguiu nos entregar obras memoráveis e deixar sua marca na história da sétima arte.