O tradicional Indie Festival chega nessa quinta (15/09) em São Paulo, após passar por Belo Horizonte. O festival esse ano, que chega na sua 16° edição, está mais enxuto na sua programação, mas mesmo assim repleto de pérolas do cinema mundial. Ao todo são 31 filmes distribuídos em três mostras: Mostra Mundial, Mostra Clássica e a Retrospectiva Walerian Borowczyk. Veja abaixo os destaques dessa edição.

O grande destaque do Indie nesse ano é a retrospectiva do cineasta polonês Walerian Borowczyk, que terá 13 filmes de sua vasta filmografia na programação, dentre longas e curtas. Veja abaixo um texto escrito pela curadora do Indie, Francesca Azzi, divulgado no site do festival, no qual ela fala sobre a retrospectiva de Borowczyk:

Ele: Walerian Borocwzyk
e.. a Andrzej Zulawski, in memoriam

De uma troca de emails com o cineasta Andrzej Zulawski – o diretor polonês conhecido no Brasil pelo filme Possessão e morto prematuramente em fevereiro de 2016, conheci Daniel Bird. No email, Zulawski me dizia que infelizmente não poderia vir ao Brasil para uma retrospectiva de sua obra porque estava literalmente cansado e não aguentaria nem a viagem, nem os admiradores de Béla Tarr – uma referência sarcástica a uma retrospectiva do cineasta húngaro que realizamos em 2011. Um olhar para o cinema quase oposto ao seu.

Daniel Bird era amigo pessoal de Zulawski e me apresentou seu projeto de restauração dos filmes de outro polonês, também um iconoclasta e inquieto artista: Walerian Borowczyk. Pouco conhecido no Brasil, a não ser através de seus dois filmes mais polêmicos: Contos Imorais e A Besta, o projeto não apenas restaurava os filmes curtas e longas de Borowczyk, como fazia uma grande revisão de sua obra como cineasta, designer de figurinos, cenários, objetos, adereços, animador, e em todos os sentidos um grande “faz-tudo” em seus filmes.

Nessa seleção curatorial, realizada por Bird, 13 filmes serão exibidos, com destaque para seu primeiro longa de animação O Teatro do Senhor e Senhora Kabal (1967), Goto, Ilha do Amor (1978), Blanche (1971), e os mais eróticos: A Besta (1975), Contos Imorais (1976) e História do Pecado (1975). As polêmicas em torno de Walerian Borowczyk, aposto, continuarão. … porque não há como não se afetar pelo seu cinema.


Trailer de “O Teatro do Senhor e Senhora Kabal (1967)” de Walerian Borowczyk

Na Mostra Clássica serão exibidos quatro filmes já conhecidos pelos cinéfilos, são eles: “Hiroshima, Meu Amor” (1959) de Alain Resnais; “Estranhos no Paraíso” (1984) de Jim Jarmusch; “O Homem Que Caiu na Terra” (1976) de Nicolas Roeg e por fim “Blow-Up – Depois Daquele Beijo” (1966) de Michelangelo Antonioni. Todos em cópias DCP.

E dentro da Mostra Mundial temos um apanhado de filmes inéditos no Brasil, alguns de realizadores já conhecidos do público cinéfilo, como Albert Serra, no qual será exibido o filme “A Morte de Luís XIV” (2016) que foi exibido no Festival de Cannes esse ano e que abrirá o Indie em SP no dia 14/09. Além de Serra, o Indie traz o último filme de Philippe Grandrieux: “Apesar da Noite” (2015); traz também um dos mais recentes filmes de Kiyoshi Kurosawa: “Creepy” (2016); o mais recente trabalho de Alain Guiraudie: “Na Vertical” (2016), filme que concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes desse ano; e o filme “O Que Está Por Vir” (2016), da cineasta Mia Hansen-Løve, que recebeu o Urso de Prata como Melhor de Diretora no Festival de Berlim desse ano.


Trailer de “A Morte de Luís XIV” (2016) de Albert Serra

Além dos filmes citados acima de cineastas conceituados, temos também algumas surpresas, algo que já é característico do Indie. Dois se destacam dentro da programação, por serem obras de cineastas estreantes e que possuem uma proposta fora do habitual, o primeiro é o drama japonês “Happy Hour” (2015) dirigido por Ryusuke Hamaguchi, que acompanha os dilemas da vida de quatro amigas durante suas 5 horas de projeção. O outro destaque é o filme “Mais um Ano” (2016) da cineasta Shengze Zhu, que durante as suas 3 de duração acompanha 13 jantares de uma família chinesa de trabalhadores emigrantes ao longo de 14 meses, um documentário que foi premiado no festival Olhar de Cinema desse ano.

Todas as exibições serão feitas no CineSESC, com programação que começa no dia 15 e vai até o dia 21/09. O Indie Festival é um festival que permite aos espectadores conhecer obras pouco populares no Brasil, é uma aventura enriquecedora que permite o cinéfilo descobrir filmografias riquíssimas que dificilmente se encontram por aí. Oportunidade única! Acesse a programação do festival nesse link.


Vinheta do Indie Festival 2016