draculas_dog_poster_01Hoje é sexta-feira 13, uma data emblemática para os fãs do cinema de horror! E para não deixar passar uma data tão importante em branco, vamos falar de um clássico bagaceiro do cinema de horror, trata-se do cultZoltan, o Cão Vampiro de Drácula” (1981).

Como o bizarro nome sugere, o filme é sim sobre um cão vampiro, e a medida que o filme passa, a tentativa de enxergar uma lógica na maravilhosa trama vai ficando cada vez mais difícil, o que em alguns casos pode favorecer ao filme. Afinal, se tem algo que se pode dizer que valha a pena em “Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula“, é a sua história sem sentido.

No início do filme vemos um grupo militar russo realizando uma escavação, coincidentemente eles encontram caixões numa espécie de cripta, e após um terremoto, um dos caixões fica à vista de um soldado que estava de guarda no local, genialmente, ele abre o caixão e tira a estaca de Zoltan, o libertando de um sono de séculos. Como se isso não bastasse, Zoltan ataca o soldado e depois liberta Smith (Reggie Nalder), tirando a estaca de seu peito. Smith era um serviçal de Drácula, mas que até então, não entendemos muito o seu papel na história, talvez seja pra não deixar um filme com um cachorro-vampiro sendo o antagonista sozinho, ou porque ele é um senhor tipicamente estranho, ou feio, como preferirem.

Finalmente livres, Zoltan, até então controlado psiquicamente por Smith, que rendem cenas extramente cômicas, como Smith dando ordens para Zoltan só com a sua mente e um close nas suas expressões faciais – uma grande atuação, ambos partem em busca do último descendente vivo de Drácula, pois eles precisam de um mestre para continuarem a existir. Até então, o que nos parece é que Zoltan era realmente o cachorro de Drácula, mas é aí que entra o flashback para a felicidade do espectador. Na verdade, Zoltan era o cachorro de Smith. Mas certa noite, quando Drácula estava prestes a atacar uma moça, Zoltan interviu, então Drácula se transformou em morcego e mordeu Zoltan, fazendo o cachorro se transformar num cachorro-vampiro, após isso, Smith encontra Drácula e o seu recém cachorro-vampiro e então Drácula transforma Smith em seu serviçal, fazendo com que ele se torne um meio vampiro, que não possui sede de sangue e que pode sair ao dia, como nos é explicado pelo caçador de vampiros que surge na trama para alertar o tal descendente de Drácula. Pronto! Agora tudo faz sentido.

E após essa maravilhosa explicação sobre quem são os antagonistas e o que eles pretendem, finalmente conhecemos Michael Drake (Michael Pataki), o descendente de Drácula. Ele possui uma tradicional vida do sonho americano, uma família feliz, com um casal de filhos e mais um casal de cachorros, que acabaram de ter uma cria. E enquanto o estudioso/caçador de vampiros vai à procura de Drake, ele e a sua família planejam uma viagem de férias, e é no acampamento das férias da família que a maior parte do filme se desenrola (ou enrola?).

Se até então os acontecimentos do filme já extrapolavam o ridículo, o que se segue é ainda pior, pois Zoltan vai transformando outros cachorros em vampiros também, criando assim uma gangue de cachorros-vampiros que querem o sangue de Drake e que são comandados por Smith.

As cenas de morte são ridículas, mas temos que dar os merecidos créditos para alguns efeitos práticos, como algumas cenas dos ataques dos cachorros e as enormes presas que colocaram neles. Mas o que poderia ter se tornado um filme escrachado propositalmente, se torna um humor involuntário, o tom de seriedade que os personagens lidam com as ameaças vampirescas chega a ser impressionante, pois era pra soar dramático, mas na verdade é cômico, e muito cômico.

O filme tem falhas enormes no roteiro, o clima sombrio que o diretor Albert Band tentou alcançar não convence e as atuações são sofríveis, com exceção de Zoltan, que se mostra como um verdadeiro cachorro maligno sedento por sangue, cenas como as que ele morde os pescoços de outros cachorros para os transformarem em vampiros e a maravilhosa cena em que ele e seu bando destroem uma pequena casa nos fazem ter a certeza que ele é o melhor ator do filme.

O final do filme é surreal, há brigas com os cachorros, há brigas com o bizarro Smith e o esperado susto final, que seria o grande plot twist do filme é genial. No fim você nem fica surpreso, ou se assusta, mas a risada é garantida.

Mas, apesar de tudo, “Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula” vale pela bizarrice de sua história e pelas boas gargalhadas que ele pode tirar do espectador, sem contar que é um clássico absoluto, um filme repleto de seguidores fiéis e que pode chegar a ter até um tom nostálgico para quem o assistiu no SBT – época em que as emissoras exibiam fitas maravilhosamente horrorosas, ou para quem assistiu em VHS.

Obviamente que “Zoltan, o Cão Vampiro de Drácula” não é um filme para ser assistido junto aos clássicos do horror durante uma sexta-feira 13, mas é interessante também quebrar um pouco as regras e se deliciar (?) com filmes como esse, que o horror não é pela temática do filme, mas sim pela sua péssima produção.